Steinbruch e o plano para reorganizar a CSN

Na edição de hoje: Como a Zepp Health entregou 870% de valorização em um único ano; Four Seasons, a rede de luxo que virou peça no portfólio de Bill Gates e Steinbruch e o plano para reorganizar a CSN

Compartilhar
Steinbruch e o plano para reorganizar a CSN

“Em toda a minha vida, nunca conheci pessoas sábias que não lessem o tempo todo — nenhuma, zero.” — Charlie Munger

⌚ Como a Zepp Health entregou 870% de valorização em um único ano

Huang Wang, fundador e CEO da Zepp Health.

Mais de 870% de rentabilidade em 2025. Isso é bom pra você? Pois foi exatamente essa onda que os investidores da Zepp Health conseguiram surfar ao longo do ano. Um salto que chamou atenção não só pelo número, mas pelo contraste com a imagem discreta que a empresa sempre teve no mercado.

Mas curiosamente a Zepp Health não surgiu como uma marca voltada ao consumidor final. Durante boa parte de sua história, a empresa operou nos bastidores do mercado de tecnologia vestível (os famosos wearables), fabricando dispositivos para outras marcas e dependendo de contratos que garantiam volume, mas limitavam margens e visibilidade. Esse modelo sustentou a operação, mas manteve a companhia longe do radar do grande público.

A virada começou quando a empresa decidiu apostar na construção de uma marca própria, com a linha Amazfit. A mudança trouxe risco, mas também abriu espaço para algo que antes não existia. O foco em relógios inteligentes e pulseiras fitness com preços mais acessíveis ajudou a Zepp a ganhar escala, enquanto o investimento em software e dados começou a dar mais sentido ao hardware.

Mesmo assim, o mercado demorou a comprar a história. Por anos, as ações ficaram pressionadas, refletindo dúvidas sobre rentabilidade, concorrência pesada e ciclos irregulares de crescimento. A Zepp parecia presa naquela categoria incômoda de empresas que funcionam, mas não empolgam.

Gráfico das ações da Zepp (NYSE: ZEP).

Isso mudou de forma quase abrupta em 2025. Ao longo do ano, as ações da Zepp Health chegaram a acumular uma valorização próxima de 1.100%, um movimento raro mesmo para padrões de empresas de tecnologia. O salto refletiu uma combinação de fatores. Recuperação de vendas, estrutura de custos mais enxuta, melhora operacional e a percepção de que a empresa havia finalmente encontrado um caminho mais claro de execução.

Isso não transforma a empresa em um caso resolvido. A volatilidade permaneceu alta ao longo do ano e os desafios continuam claros em um setor claramente pressionado. Ainda assim, 2025 marcou um ponto difícil de ignorar.

Depois de anos sendo tratada como coadjuvante, a Zepp Health entregou um dos movimentos mais impressionantes do mercado e forçou investidores a olharem com mais atenção para uma empresa que, até pouco tempo atrás, passava despercebida.



🏨 Four Seasons, a rede de luxo que virou peça no portfólio de Bill Gates

Bill Gates, o principal acionista da rede Four Seasons.

A rede de hotéis Four Seasons começou de forma bem mais modesta do que seu nome sugere. Fundada nos anos 1960 pelo canadense Isadore Sharp, a rede surgiu para provar que o luxo podia ser feito com atenção de verdade ao hóspede. Sharp acreditava que serviço impecável, conforto e respeito às necessidades de cada visitante eram mais importantes do que ordem de cinco estrelas.

Inicialmente concebida como uma cadeia de hotéis de alto padrão em poucas cidades, o Four Seasons foi se espalhando pelo mundo, expandindo para resorts, propriedades residenciais e destinos icônicos em todos os continentes. A reputação de atendimento personalizado e de qualidade consistente fez com que a marca se tornasse sinônimo de luxo moderno, uma escolha frequente de viajantes exigentes, de chefes de estado a executivos de grandes empresas.

O capital por trás dessa expansão passou por várias mãos, mas ganhou contornos mais surpreendentes quando a Cascade Investment, o veículo de investimentos de Bill Gates, começou a aumentar sua participação na companhia.

A Cascade entrou no negócio no fim dos anos 1990 e acompanhou a empresa em muitas fases. Nos últimos anos, porém, esse envolvimento se tornou muito mais relevante. Com a compra de parte das ações que pertenciam ao príncipe saudita Alwaleed bin Talal, a participação de Gates passou a ser majoritária, o que o transformou em um dos principais controladores da rede de hotéis de luxo.

Ter alguém como Gates no comando de uma das marcas mais emblemáticas da hotelaria pode parecer inesperado, mas faz sentido quando olhamos para a forma como ele e sua equipe de investimentos operam. A Cascade, além do Four Seasons, reúne um portfólio diverso que vai de participação em grandes fabricantes de máquinas agrícolas a investimentos em infraestrutura, empresas de serviços e ativos imobiliários.

Com mais de 120 hotéis e resorts espalhados pelo mundo, a rede se consolidou ao longo das décadas como um símbolo de luxo baseado em consistência, serviço e atenção aos detalhes. Essa base permitiu ao Four Seasons continuar expandindo sem abrir mão da experiência que o tornou referência.


Já conhece os outros canais do Curioso Mercado?

📹 Youtube, com versões mais detalhadas das curiosidades de negócios.

📱 Instagram, com curtinhas, reels com histórias de negócios e muito mais!

📖 Biblioteca do Curioso, com livros sobre as melhores histórias do mundo dos negócios.

📞 Canal no WhatsApp, com notícias e curiosidades diárias para você ficar por dentro de tudo.


📈 Sua carteira de investimentos pode estar trabalhando contra você

Em milhares de carteiras de investimentos analisadas, a Nord Wealth encontra os mesmos erros se repetindo. Patrimônios excessivamente concentrados em produtos caros e ineficientes, falta de diversificação internacional, investimentos desalinhados ao perfil e aos objetivos do investidor e até gastos elevados com produtos financeiros que não agregam valor real ao patrimônio.

O Diagnóstico de Carteira da Nord Wealth existe justamente para revelar esses desvios e mostrar, de forma clara e independente, onde o seu dinheiro está sendo alocado, desperdiçado ou colocado em risco sem necessidade. Em uma análise gratuita e sem compromisso, você recebe um mapa completo da sua carteira, com correções práticas para reduzir custos, aumentar eficiência, melhorar a proteção do patrimônio e alinhar seus investimentos aos seus objetivos.

Clique no botão abaixo e solicite agora o seu Diagnóstico de Carteira gratuito da Nord Wealth.


🔩 Steinbruch e o plano para reorganizar a CSN

Benjamin Steinbruch, CEO da CSN.

Benjamin Steinbruch nunca foi um empresário de movimentos discretos. Sua trajetória está mais associada a decisões grandes, discursos diretos e uma disposição permanente para jogar o jogo pesado da indústria brasileira. No comando da CSN, quando o cenário aperta, a resposta costuma vir em forma de reorganização, venda de ativos e uma boa dose de pragmatismo.

A CSN nasceu como símbolo da industrialização brasileira e, sob Steinbruch, deixou de ser apenas uma siderúrgica. Mineração, cimento, energia e logística passaram a compor um conglomerado integrado, pensado para reduzir dependências externas e aumentar margem ao longo do tempo. Esse movimento de verticalização ajudou a empresa a atravessar períodos de alta e baixa do aço, mas também trouxe um efeito colateral conhecido de qualquer expansão agressiva. Alavancagem.

Nos últimos anos, esse ponto voltou ao centro da conversa. Com juros elevados, mercado mais seletivo e menos paciência para balanços esticados, Steinbruch começou a fazer o que o mercado financeiro chama de ajuste e o empresário chama de dever de casa.

Na quinta-feira, 15, a siderúrgica revelou um plano para levantar até R$ 18 bilhões por meio da venda de participações em ativos, em uma tentativa de reduzir seu grau de endividamento.

A decisão de colocar bilhões em ativos à venda não soa como recuo estratégico, mas como uma tentativa clara de ganhar fôlego financeiro e reduzir pressão sobre o caixa.

Há uma certa ironia nisso tudo. Depois de décadas comprando, integrando e expandindo, o momento pede o movimento inverso. Vender ativos, simplificar estruturas e mostrar ao mercado que disciplina financeira também faz parte do jogo.

Steinbruch sempre operou com uma lógica própria. Menos foco em agradar analistas no curto prazo e mais disposição para sustentar decisões impopulares enquanto acredita na tese. Isso gera ruído, críticas e, volta e meia, manchetes pouco amistosas. Mas também explica por que ele continua sendo uma figura central no capitalismo brasileiro.

Steinbruch sempre foi um empresário acostumado a jogar em grande escala e agora está apenas ajustando o tabuleiro para continuar no jogo. Sobreviver muitas vezes é menos sobre crescer e mais sobre saber a hora certa de reduzir peso sem perder o controle da operação.

Se você quiser saber mais sobre o império dos Steinbruch, assista ao vídeo ao final da edição.


🔥 Rodada de notícias da semana!

🏭 Nelson Tanure desfaz posição na Prio para pagar seus credores, segundo fontes

🍷 Como a Salton mira chegar a R$ 1 bilhão em vendas com aposta em espumantes a R$ 50

💸 FGC anuncia início de pagamento a investidores do Banco Master

📉 Na Porsche, queda de 50% desde o IPO mostra desafio de reconquistar o mercado


📝 Conteúdos que recomendamos:

📖 Livro da semana: Felicidade corporativa: Como conciliar bem-estar e lucro

O livro Felicidade Corporativa mostra como bem-estar e lucro podem caminhar juntos dentro das organizações. Vinicius Kitahara apresenta o conceito de felicidade corporativa de forma prática, apoiado em estudos e casos reais de empresas como Heineken, Renner e Vale. O livro defende que investir no bem-estar dos colaboradores não é apenas uma questão de empatia, mas uma estratégia concreta para melhorar performance, reter talentos e construir negócios mais sustentáveis.

📧 Deseja anunciar para milhares de pessoas na newsletter? Clique aqui.

▶️ Para assistir: O IMPÉRIO dos Steinbruch/Rabinovich (Vicunha e CSN)