O banqueiro e o colapso: Ezequiel Nasser e o Banco Excel

Na edição de hoje: John Jacob Astor IV, o primeiro magnata americano; Como Robert Herjavec transformou tecnologia em escala e O banqueiro e o colapso: Ezequiel Nasser e o Banco Excel.

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O banqueiro e o colapso: Ezequiel Nasser e o Banco Excel

“Em toda a minha vida, nunca conheci pessoas sábias que não lessem o tempo todo — nenhuma, zero.” — Charlie Munger

⏩ Curiosidades da semana:

📈 A Standard Oil, criada por Rockefeller, chegou a controlar cerca de 90% do refino de petróleo dos Estados Unidos não apenas comprando concorrentes, mas negociando descontos secretos com as ferrovias. Ao pagar menos pelo transporte do petróleo, a Standard conseguia preços impossíveis para rivais, sufocava a concorrência e depois a absorvia.

🏨 A rede de hotéis Accor nasceu de uma ideia importada dos Estados Unidos. Em 1967, dois empresários franceses abriram o primeiro hotel da rede inspirado no modelo da Holiday Inn americana. Esse experimento deu origem à marca Novotel e, a partir dela, a Accor construiu um dos maiores grupos hoteleiros do mundo, reunindo hotéis de luxo, econômicos e lifestyle sob o mesmo ecossistema.

🏢 John Jacob Astor IV, o primeiro magnata americano

John Jacob Astor IV e o hotel Waldorf-Astoria.

John Jacob Astor IV (1864 – 1912) foi um dos empresários mais influentes da história americana. Em um país ainda em formação, ele logo percebeu que a verdadeira riqueza não estava apenas em produzir, mas em dominar rotas comerciais, ativos estratégicos e principalmente propriedades.

O primeiro passo desse império foi o comércio de peles. Astor construiu uma rede internacional que ligava o interior da América do Norte à Europa, dominando logística, distribuição e financiamento. Em pouco tempo, se tornou o homem mais rico dos Estados Unidos, com uma fortuna que parecia crescer de forma automática.

Quando percebeu que aquele mercado atingiria seu limite, fez o movimento que selaria seu legado. Astor migrou para o mercado imobiliário de Nova York, adquirindo terrenos e edifícios em áreas ainda pouco valorizadas. Décadas depois, aquelas propriedades formariam a base de uma das maiores fortunas imobiliárias da história americana.

No fim do século XIX, John Jacob Astor IV levou sua ambição para a hotelaria de luxo e ajudou a redefinir o conceito de hospedagem urbana. Em Nova York, construiu o Hotel Astoria para competir com o primo, criador do Hotel Waldorf.

A rivalidade terminou em fusão, unindo os dois edifícios e dando origem ao lendário Waldorf-Astoria, que se tornaria o maior hotel do mundo em sua época. Mais do que grandioso, o empreendimento foi revolucionário ao introduzir eletricidade, telefonia interna e banheiros privativos em todos os quartos, transformando o hotel em símbolo de status, inovação e vida social.

Astor aprofundou esse legado com a criação do St. Regis Hotel, inaugurado em 1904. Também esteve por trás do Knickerbocker Hotel, outro marco da elite nova-iorquina, estrategicamente localizado e pensado como ponto de encontro da alta sociedade. Mais de um século depois, seu nome segue associado ao luxo atemporal, presente em empreendimentos modernos como a John Jacob Astor Estate, no St. Regis Maldives.

No início do século XX, já afastado da gestão direta, Astor vivia entre negócios, filantropia e vida social. Foi nesse período que embarcou na viagem inaugural do RMS Titanic, como o passageiro mais rico a bordo. Quando o navio colidiu com o iceberg, sua esposa, grávida, e a enfermeira que a acompanhava conseguiram lugar em um bote salva-vidas justamente por causa da gravidez. Astor permaneceu no convés, auxiliando outros passageiros em meio ao caos. No entanto, não sobreviveu ao acidente.

O legado de John Jacob Astor IV vai além da riqueza que acumulou ou dos hotéis que construiu. Ele ajudou a estabelecer os pilares da hotelaria de luxo moderna, unindo arquitetura, tecnologia, serviço e localização em experiências que redefiniram o padrão de excelência.



🌐 Como Robert Herjavec transformou tecnologia em escala

Robert Herjavec, um dos “sharks” do Shark Tank americano.

Ainda criança, Robert Herjavec deixou a antiga Iugoslávia com a família rumo ao Canadá, chegando ao país sem dinheiro, sem domínio do idioma e sem qualquer segurança. Desde cedo, Herjavec entendeu que aprendizado e disciplina seriam suas principais moedas em um novo mundo.

Formado em ciência política e literatura inglesa, ele entrou no mercado de tecnologia quase por acaso, aceitando cargos operacionais apenas para estar dentro das empresas. Trabalhou sem salário por meses até conquistar espaço, aprendendo na prática como funcionavam sistemas, vendas e gestão. Essa combinação entre conhecimento técnico e visão comercial se tornaria seu diferencial mais à frente.

O primeiro grande movimento empreendedor veio nos anos 1990, com a criação da BRAK Systems, empresa especializada em segurança digital em um momento em que o tema ainda era subestimado. A internet crescia rapidamente, e Herjavec percebeu que a proteção de dados se tornaria um problema central. A empresa ganhou tração e acabou sendo adquirida por um grande grupo de tecnologia.

Com capital em mãos e experiência acumulada, ele decidiu recomeçar do zero. Fundou então a Herjavec Group, focada em cibersegurança corporativa. O crescimento foi consistente e alinhado à transformação digital. À medida que empresas e governos se tornavam mais dependentes da tecnologia, a demanda por proteção aumentava.

A projeção pública veio mais tarde, com sua participação no programa Shark Tank. Na televisão, ganhou fama como investidor direto e disciplinado, conhecido por priorizar execução, caixa e clareza estratégica.


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🏦 O banqueiro e o colapso: Ezequiel Nasser e o Banco Excel

Ezequiel Nasser, banqueiro brasileiro.

A história de Ezequiel Nasser se confunde com um período de excessos, criatividade financeira e fragilidade institucional no sistema bancário brasileiro, especialmente entre o fim dos anos 1980 e meados da década de 1990.

Em um ambiente de inflação elevada, regulação em transformação e oportunidades assimétricas, Nasser construiu sua reputação como banqueiro ousado, capaz de crescer rapidamente explorando brechas do mercado e estruturas financeiras pouco transparentes.

Nasser foi o fundador do Banco Excel, em 1990. De maneira rápida, a instituição financeira foi crescendo e, em 1996, incorporou o Banco Econômico, que passava por dificuldades financeiras. Assim, nasceu o Banco Excel Econômico.

A nova instituição passou a executar uma expansão agressiva, baseada em aquisições, crescimento acelerado da carteira de crédito e operações estruturadas que inflavam resultados no curto prazo.

Em pouco tempo, o banco figurava entre as instituições relevantes do país, sustentado por uma estratégia que priorizava crescimento acima de controles robustos. Em 1997, o banco iniciou no futebol patrocinando o Corinthians, o Botafogo, o Vitória e o América-MG.

No entanto, problemas de liquidez, inconsistências contábeis e exposição excessiva ao risco vieram à tona, colocando o Banco Excel Econômico sob crescente pressão do mercado e do Banco Central.

Em 1998, após passar por dificuldades financeiras, foi adquirido pelo Banco Bilbao Vizcaya. O episódio marcou o fim da trajetória de Ezequiel Nasser como protagonista do sistema financeiro brasileiro. O caso tornou-se emblemático por evidenciar os limites de um modelo baseado em alavancagem elevada, governança frágil e dependência extrema de condições macroeconômicas específicas.

A trajetória de Ezequiel Nasser não é uma história de redenção. É um retrato de uma era em que crescimento acelerado, quando dissociado de controles sólidos e transparência, produziu ganhos temporários e perdas permanentes.

Até hoje, o valor pago pelo Banco Bilbao Vizcaya pelo controle acionário do Excel permanece cercado de controvérsias. Em 1998, divulgava-se que a aquisição teria ocorrido por cerca de US$ 500 milhões. Já em 2004, surgiram denúncias indicando que a operação teria sido formalizada por um valor meramente simbólico, de R$ 1.489.


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