Mesbla: auge, crise e a falência — por Greco Prado

Da ascensão como símbolo do consumo moderno à queda em um mercado que mudou rápido demais, a trajetória da Mesbla mostra como escala, sem adaptação, pode deixar de ser vantagem.

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Mesbla: auge, crise e a falência — por Greco Prado

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Nos anos 1980, poucas marcas tinham a presença e o peso da Mesbla no varejo brasileiro. Suas cerca de 180 lojas, espalhadas por capitais e grandes cidades, empregavam algo em torno de 28 mil pessoas e vendiam praticamente tudo o que cabia dentro do conceito de consumo da época.

Roupas, eletrodomésticos, móveis, brinquedos e até lanchas e automóveis, organizados em divisões específicas como a Mesbla Náutica e a Mesbla Automotiva. Era o tipo de loja onde o passeio fazia parte da compra.

Essa história começou bem antes, em 1912, no Rio de Janeiro, quando a empresa surgiu como filial da francesa Etablissements Mestre & Blatgé, focada inicialmente em acessórios para automóveis.

Em 1924, o controle passou para Luiz La Sagne, que nacionalizou a operação e deu início a um processo de expansão mais ambicioso. Em 1939, o nome Mesbla S.A. foi oficialmente adotado, formado a partir das primeiras sílabas da razão social original, marcando de vez a identidade brasileira da companhia.

Nas décadas seguintes, especialmente entre os anos 1950 e 1970, a Mesbla deixou de ser apenas uma loja especializada e se transformou em uma grande loja de departamentos. Investiu em pontos comerciais amplos, lojas âncora em centros urbanos e um portfólio cada vez mais diversificado. Para muitas cidades, a chegada da Mesbla representava modernidade, status e acesso a produtos que antes só eram vistos em grandes capitais.

O auge veio nos anos 1980. A marca era sinônimo de consumo, crédito e variedade. Comprar na Mesbla fazia parte do cotidiano de uma classe média em expansão, acostumada a parcelar compras e circular por corredores que misturavam moda, tecnologia e lazer. Por trás dessa imagem forte, porém, havia uma estrutura pesada, custos elevados e uma dependência grande de volume de vendas para sustentar a operação.

Quando o cenário macroeconômico começou a se deteriorar, a conta chegou rápido. Hiperinflação, juros altos e perda de poder de compra pressionaram o caixa. Ao mesmo tempo, surgiam concorrentes mais enxutos, com operações menos centralizadas e maior capacidade de adaptação. O modelo que havia funcionado por décadas começou a mostrar sinais claros de desgaste.

Em agosto de 1995, a Mesbla entrou com pedido de concordata na tentativa de ganhar tempo e reorganizar as finanças. Dois anos depois, surgiu uma última aposta. O empresário Ricardo Mansur, então controlador do Mappin, comprou a rede com a promessa de renegociar dívidas e promover uma reestruturação profunda. Houve fechamento de lojas, cortes de custos e mudanças operacionais, mas o mercado já tinha virado a página.

O formato tradicional de grandes lojas de departamento perdia espaço para redes mais especializadas e ágeis. Em 1999, com dívidas próximas de um bilhão de reais e sem fôlego para competir, a Justiça decretou a falência da Mesbla. Seus pontos comerciais foram absorvidos por outras redes e a marca desapareceu do mapa do varejo.

O que ficou foi a memória de uma época em que comprar era também um programa e em que uma única loja conseguia concentrar desejos, novidades e consumo em escala nacional.

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