John Malone e a Fórmula 1

Especial Fórmula 1 & Negócios: O Banco Nacional e o boné azul de Senna; A Era Marlboro na Scuderia Ferrari e John Malone e a Fórmula 1.

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John Malone e a Fórmula 1

“Em toda a minha vida, nunca conheci pessoas sábias que não lessem o tempo todo — nenhuma, zero.” — Charlie Munger

⏩ Curiosidades da semana:

🍊 A Fruki, cujo nome vem de “Frutos com Química”, nasceu no Rio Grande do Sul em 1924 e começou produzindo refrigerantes artesanais em uma pequena fábrica familiar. Hoje, é uma das maiores indústrias gaúchas de bebidas.

💊 Em 1950, a EMS nasceu e conquistou espaço sendo uma das pioneiras no Brasil a produzir genéricos, tornando os medicamentos mais acessíveis. A empresa se tornou uma das maiores farmacêuticas do país e mantém forte investimento em pesquisa e inovação, exportando seus produtos para mais de 40 países.

🏦 O Banco Nacional e o boné azul de Senna

Não há fã de Fórmula 1 que jamais tenha visto o icônico boné azul de Ayrton Senna. Afinal, o boné se tornou símbolo de uma era e de uma parceria improvável entre um piloto em ascensão e um banco brasileiro que via no esporte uma oportunidade de se projetar nacionalmente.

Fundado em 1944 em Belo Horizonte pelos irmãos José e Valdomiro de Magalhães Pinto, o Banco Nacional buscava expandir sua presença e se aproximar do público por meio de ações de marketing inovadoras para a época.

Em 1984, o Banco Nacional firmou um patrocínio com Ayrton Senna, ainda no início de sua trajetória na Fórmula 1. O logotipo do banco passou a aparecer no macacão do piloto e, principalmente, no boné azul que se tornaria um dos símbolos mais icônicos do automobilismo brasileiro.

O boné azul ultrapassou o status de acessório e virou um símbolo cultural, um elo direto entre Senna e o público. À medida que o piloto conquistava vitórias e se tornava um ídolo mundial, o Banco Nacional ganhava visibilidade inédita.

Mas o sucesso nas pistas não se refletia nas finanças. O banco enfrentava dificuldades crescentes e, após a morte de Senna em 1994, entrou em colapso. Em 1995, o Banco Central decretou sua intervenção e os ativos foram incorporados pelo Unibanco.

Mesmo décadas depois, o boné azul permanece como símbolo de uma era. Ele representa não apenas a genialidade de Ayrton Senna, mas também um capítulo singular da história corporativa brasileira, em que um banco e um piloto se tornaram, por alguns anos, sinônimos de velocidade e conquistas.


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🚬 A Era Marlboro na Scuderia Ferrari

Poucos símbolos da Fórmula 1 são tão marcantes quanto o vermelho intenso da Ferrari. Por trás dessa cor, há uma história que mistura velocidade, poder e marketing. Durante meio século, a Marlboro transformou o Cavallino Rampante em uma extensão de sua identidade, numa parceria que redefiniu a relação entre marcas e o automobilismo mundial.

A história começou em 1972 quando a Philip Morris entrou na Fórmula 1 com sua marca Marlboro, aproveitando a abertura da categoria para patrocinadores comerciais. A primeira equipe apoiada foi a BRM, que levou o nome da marca a um novo patamar, com festas, eventos e uma presença inédita fora das pistas. Pouco tempo depois, a Marlboro ampliou seu alcance e encontrou na Ferrari o parceiro ideal para representar seus valores.

A partir dos anos 1980, a ligação entre as duas se consolidou e ganhou contornos icônicos. O vermelho da Marlboro passou a dominar o visual dos carros e dos macacões, enquanto o logotipo da marca estampava uma união perfeita entre luxo italiano e marketing americano.

Com o avanço das restrições à publicidade de tabaco no início dos anos 2000, a presença da Marlboro precisou se reinventar. O logotipo desapareceu, mas a marca seguiu presente de forma simbólica através do tom de vermelho, dos códigos visuais e da continuidade do patrocínio por meio da Philip Morris.

O fim oficial veio apenas em 2021, encerrando um vínculo de 50 anos e um patrocínio avaliado em cerca de US$ 70 milhões por ano. No fim, a Marlboro não apenas patrocinou a Ferrari, mas ajudou a definir como o mundo enxerga a própria Fórmula 1.


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🏎️ John Malone e a Fórmula 1

Já escrevemos nesta edição sobre a guinada bilionária que transformou a Fórmula 1 em um fenômeno global. No entanto, vale olhar mais de perto para o homem por trás dessa transformação: John Carl Malone, o engenheiro norte-americano que construiu um dos maiores impérios de mídia e entretenimento do planeta e redefiniu a forma como o esporte é consumido.

Discreto, metódico e conhecido por sua habilidade em montar estruturas corporativas complexas, Malone liderou por quase quatro décadas a Tele-Communications Inc. (TCI), transformando a empresa na maior operadora de TV a cabo dos Estados Unidos. Em 1999, vendeu a empresa para a AT&T pela “bagatela” de US$ 50 bilhões.

Pouco antes, em 1991, havia fundado a Liberty Media, holding criada para administrar participações em empresas de mídia, tecnologia e esportes. Sua filosofia de negócios era baseada em adquirir marcas subvalorizadas e reestruturá-las em plataformas de crescimento e receita recorrente.

Essa lógica se repetiu em investimentos que hoje formam um vasto ecossistema: o Liberty SiriusXM Group, com participação na SiriusXM Holdings; o Liberty Live Group, que inclui a Live Nation Entertainment; a gestão de franquias esportivas como o Atlanta Braves, da liga de beisebol norte-americana; e a MotoGP, o campeonato mundial de motovelocidade.

Em 2017, a mesma estratégia chegou às pistas com a compra dos direitos da Fórmula 1, então em declínio de audiência e relevância entre o público jovem. Malone viu ali não apenas um campeonato, mas uma marca global subaproveitada. Sob sua liderança, a Liberty reposicionou a categoria: reformulou o calendário, levou corridas a novos mercados e transformou os Grandes Prêmios em espetáculos de entretenimento, com etapas icônicas em Miami e Las Vegas.

A abertura dos bastidores também foi decisiva. Em parceria com a Netflix, nasceu a série Drive to Survive, que apresentou o drama das equipes e rivalidades a uma nova geração de fãs. Paralelamente, a Liberty impulsionou a presença digital da F1 e criou novas fontes de receita com experiências como o F1 Arcade, além de investir em ligas emergentes como a Drone Racing League e a plataforma esportiva Overtime.

Essa expansão refletiu a mentalidade de Malone em diversificar, integrar e transformar mídia em negócios escaláveis. Em 2024, o conglomerado ultrapassava US$ 18 bilhões em valor de mercado, consolidando a Liberty Media como uma da referência em gestão esportiva e entretenimento.

Agora, o grupo entra em uma nova fase. A partir de 1º de janeiro de 2026, John Malone deixará a presidência da Liberty Media para assumir o cargo de Chairman, permanecendo como acionista majoritário e conselheiro estratégico. A transição simboliza o encerramento de um ciclo, mas reforça a herança de um empresário que transformou a Fórmula 1 e todo o setor de mídia.


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