EXCLUSIVO: o otimismo que levou Wall Street ao abismo em 1929

A lógica por trás das grandes crises continua parecida: otimismo excessivo, crédito fácil e a crença de que o crescimento nunca terá fim.

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EXCLUSIVO: o otimismo que levou Wall Street ao abismo em 1929
Crise de 1929: conheça a história da Grande Depressão - Toda Matéria

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Na bolha da internet, o otimismo tinha a forma de uma promessa: a internet mudaria para sempre as regras da economia. Em 2008, ele vinha embalado por crédito abundante, modelos sofisticados e pela crença de que os imóveis americanos continuariam subindo.

Em 1929, o otimismo também parecia racional. A bolsa subia, o crédito se espalhava e milhões de americanos passaram a acreditar que o futuro seria necessariamente maior, mais rico e mais seguro que o presente.

Mas o que veio em seguida foi a maior crise da história do capitalismo moderno.

É esse cenário que Andrew Ross Sorkin reconstrói em 1929, seu novo livro sobre os dias, personagens e decisões que levaram Wall Street ao colapso. Conhecido por Too Big to Fail, um dos relatos mais importantes sobre a crise de 2008, Sorkin passou oito anos pesquisando documentos, relatos e bastidores da época para transformar o crash de 1929 em uma narrativa sobre pessoas, decisões, ambição, especulação e poder.

O Curioso Mercado recebeu, com exclusividade, um trecho do livro, que será publicado em junho pelo selo Portfolio-Penguin, da Companhia das Letras. O texto mostra como a euforia dos anos 1920 ajudou a preparar o terreno para uma das maiores quebras da história.

Leia abaixo um trecho completo:

Na década de 1920, o mercado de ações era como a sala de máquinas da economia, as engrenagens trabalhando no limite da capacidade, a todo vapor, um espetáculo que atraía os americanos como mariposas à chama.

Até que veio a quebra.

Longos períodos de expansão ininterrupta, como o dos anos 1920, alimentam uma ilusão coletiva. O otimismo se torna uma droga, uma religião, ou uma combinação de ambas. Incitadas por uma cultura de informação privilegiada, ofertas exclusivas, argumentos de venda arrasadores e slogans irresistíveis, as pessoas perdem a capacidade de calcular riscos e distinguir entre ideias boas e ruins.

E no topo da indústria e do governo, durante qualquer manifestação de frenesi coletivo, estão pessoas como as que todos nós conhecemos tão bem — imperfeitas, egoístas, complexas. Elas precipitam os acontecimentos, às vezes com ousadia, às vezes cegamente, quase sempre sem compreender direito as consequências de suas ações. É uma fervura lenta — até que tudo transborda.

Alguns tiram proveito da ocasião sem sequer perceber. Outros racionalizam, convencendo-se de que servem a um bem maior. Seja em busca de poder, de aprovação ou da pura e simples emoção de triunfar a despeito de todas as probabilidades de derrota, quase nunca acreditam que o pior está por vir.

O denominador comum por trás de todas as grandes crises financeiras é um só: a dívida, uma força profundamente otimista. Se imaginamos o futuro como uma terra de oportunidades e de riquezas em constante expansão, por que não deveríamos mobilizar parte desses recursos para uso imediato? É isso que a dívida faz. Ela traz a riqueza de amanhã para hoje. Os problemas começam a surgir quando nos tornamos gananciosos e pegamos demais. Ninguém sabe direito onde está o limite — ou o que fazer quando descobre que já foi ultrapassado.

Quase um século depois, a pergunta continua parecida: em que momento o otimismo deixa de ser motor de crescimento e passa a ser combustível de uma bolha?

Publicado no Brasil pelo selo Portfolio-Penguin, da Companhia das Letras, 1929 é um lançamento para quem acompanha o Curioso e gosta de entender como dinheiro, poder e euforia moldam grandes momentos da história.

A obra 1929: Por dentro da maior crise da história de Wall Street - e como ela abalou o mundo está em pré-venda na Amazon. Clique no botão abaixo e garanta o livro com o preço de lançamento!