A família Grendene Bartelle e o império calçadista
Na edição de hoje: A engrenagem por trás da IKEA; Michael Burry e sua aposta contra a IA e A família Grendene Bartelle e o império calçadista.

“Em toda a minha vida, nunca conheci pessoas sábias que não lessem o tempo todo — nenhuma, zero.” — Charlie Munger
⏩ Curiosidades da semana:
👟 A New Balance começou sua trajetória em 1906, depois que o seu fundador William J. Riley observou as galinhas no quintal e se inspirou no equilíbrio delas para criar palmilhas que dessem mais estabilidade para os humanos.
🧴 A Unilever nasceu da união improvável entre um fabricante de sabão inglês e uma empresa de margarina holandesa, em 1930. A fusão foi motivada por um ponto em comum: ambos usavam óleo vegetal como matéria-prima. Hoje, essa combinação se transformou em um dos maiores impérios de bens de consumo do mundo.
🛋️ A engrenagem por trás da IKEA

Que a IKEA é um grande exemplo para todo empreendedor não é novidade. Afinal, a trajetória da gigante sueca é um estudo de caso por seu modelo de negócio inovador e de sucesso, que combina design acessível, eficiência logística e uma experiência de compra única.
A empresa nasceu em 1943, em Älmhult, uma pequena cidade sueca de apenas 17 mil habitantes. No começo, não havia móveis nem grandes lojas. A empresa vendia pequenos itens por catálogo, como canetas e carteiras, até perceber que poderia ocupar um espaço maior dentro das casas de seus clientes ao incluir itens de mobília.
Os primeiros anos foram turbulentos. Ao copiar concorrentes e entrar em guerras de preço, a IKEA se viu diante do desafio de se reinventar. A resposta veio com o showroom. Em 1953, quando inauguraram um espaço onde as pessoas poderiam ver e testar os móveis antes de comprar, mais de mil visitantes apareceram. O modelo era simples, mas revolucionário.
Com a concorrência tentando boicotar fornecedores, foi preciso inovar novamente. Surgiu então o conceito de flat pack e a busca por produção em países do Leste Europeu, o que permitiu manter a qualidade e reduzir custos. Em 1958, veio a primeira loja oficial, marcando o início da expansão que transformaria a IKEA na maior varejista global do setor.
A estratégia das megalojas, geralmente afastadas dos centros urbanos, criou um novo ritual de compra. Os clientes percorriam um verdadeiro labirinto, descobrindo ambientes completos que incentivavam a imaginação e as compras por impulso.
Essa engrenagem funcionou como um ciclo. Quanto maiores as lojas, maior a escala global. Quanto mais tempo os clientes passam dentro delas, maior o ticket médio. E, quanto maior a escala, menor o preço final.
O comportamento de montar o próprio móvel em casa também ajudou a criar vínculo afetivo com a marca. O chamado “IKEA Effect” traduz o orgulho que surge quando o consumidor participa da construção do que comprou, fortalecendo a percepção de valor além do objeto em si.
O case da IKEA é um entre tantos outros aos quais estão disponíveis na plataforma do CM Club, o ponto de encontro de quem discute negócios com profundidade.
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📊 Michael Burry e sua aposta contra a IA

Michael Burry sempre foi um investidor fora do comum. Formado em medicina, trocou o consultório ainda no início dos anos 2000 e fundou seu próprio fundo, apostando em análises profundas e nada convencionais. Seu nome ganhou o mundo quando antecipou o colapso das hipotecas americanas e lucrou enquanto boa parte do mercado naufragava em 2008.
Nos anos seguintes, Burry manteve o hábito de contrariar o consenso. Enquanto investidores se empolgavam com narrativas e euforias temporárias, ele se concentrava em fundamentos e procurava assimetrias escondidas onde poucos se atreviam a olhar.
Agora, outra reviravolta. Michael Burry comunicou que fechará seu fundo nos Estados Unidos e devolverá o capital aos investidores. A justificativa é baseada na sua forma de avaliar o mercado, em que sua tese contraria os rumos que os ativos vem tomando.
Burry já havia encerrado um fundo quando sentiu que a fase do mercado exigia outro tipo de atuação. Ao abandonar novamente a estrutura tradicional de hedge fund, ele coloca acima de tudo a sua independência, mostrando que saber a hora de parar também é uma decisão racional.
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👟 A família Grendene Bartelle e o império calçadista

A história da família Grendene Bartelle começou no interior do Rio Grande do Sul, em Farroupilha, quando os irmãos gêmeos Alexandre e Pedro decidiram empreender ainda no início da década de 1970.
No início, a empresa fabricava itens plásticos em uma pequena operação. Poucos anos depois, a aposta viria a se transformar na Grendene, uma das maiores indústrias de calçados do país.
Nos anos seguintes, a empresa passou a enxergar na moda e no design uma forma de ir além do produto tradicional. Foi assim que nasceram ícones como Melissa, Rider e Ipanema, e a companhia evoluiu de uma fábrica para uma marca que conquistou vitrines internacionais.
A expansão para o Nordeste trouxe competitividade industrial, ampliando capacidade produtiva e criando um modelo logístico que permitiu à empresa dominar o mercado de sandálias e calçados em PVC.
Paralelamente, a família seguiu diversificando seus negócios, não apenas na indústria calçadista, mas também em outros setores como hotelaria, investimentos e móveis. Nesse movimento, surge também outra frente empresarial liderada pelo família: a Vulcabras, proprietária de marcas como Olympikus e a operação da Mizuno e da Under Armour no Brasil, que se consolidou no segmento esportivo e estruturou um portfólio distinto daquele da Grendene.
Com o passar dos anos, as duas trajetórias começaram a tomar rumos diferentes. A Grendene, apesar da herança de forte exportadora e do peso das marcas no imaginário brasileiro, vive um período de crescimento mais lento e de desafios para ganhar competitividade. O modelo industrial segue sólido, mas o avanço comercial exige novas estratégias e adaptação a um mercado cada vez mais dinâmico.
Enquanto isso, a Vulcabras, liderada por Pedro Bartelle, atravessa uma fase de desempenho expressivo. Impulsionada pela ascensão dos tênis de performance e do estilo esportivo como protagonista da moda, a empresa ampliou receitas, fortaleceu a presença no varejo e se posicionou com força no público que busca tecnologia e alta performance.
O momento atual da Grendene e da Vulcabras é o resultado de como cada empresa tem seguido sua estratégia de crescimento. De um lado, uma gigante da moda que busca renovação e expansão internacional. Do outro, uma potência do setor esportivo que vive seu melhor momento.
No centro dessa dualidade segue a família Grendene Bartelle, cuja história empresarial ainda está longe de um capítulo final.
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