A Decade e a maior rodada seed da América Latina
Como Vitor Olivier, ex-CTO do Nubank, levantou US$ 85 milhões e quebrou o recorde da maior rodada seed da América Latina.
“Em toda a minha vida, nunca conheci pessoas sábias que não lessem o tempo todo — nenhuma, zero.” — Charlie Munger
📈 A Decade e a maior rodada seed da América Latina
Em agosto de 2025, Vitor Olivier deixou o cargo de diretor global de tecnologia do Nubank, uma das maiores fintechs do mundo, com quase 135 milhões de clientes em três países.
Ao contrário do que se imagina, Vitor não saiu para outro emprego mais bem remunerado ou uma aposentadoria precoce. Longe disso. Saiu porque, nas palavras dele em entrevista ao Brazil Journal, “me bateu aquela coceira da construção”.
Com isso, Vitor fundou a Decade, startup que quer levar IA para o wealth management. Onze meses depois, em agosto de 2026, a empresa que fundou divulgou que levantou US$ 85 milhões na maior rodada seed da história da América Latina.

Vitor se formou em Economia e Ciência da Computação pela Duke University, nos Estados Unidos. Quando voltou ao Brasil, foi trabalhar no BTG Pactual. Em 2014, largou o banco para ser um dos primeiros contratados do Nubank, que na época operava em uma casa no bairro do Brooklyn, em São Paulo.
Trocou o terno por bermuda e chinelo e ajudou a montar do zero toda a área de engenharia financeira da empresa. Ficou por 11 anos, subindo de posição até chegar ao topo da área de tecnologia. E foi exatamente no auge que decidiu apostar de novo.
A lógica que guiou a aposta é a mesma que ele aprendeu dentro do Nubank, onde eles olharam as dores dos clientes e as grandes ondas tecnológicas do momento e criaram uma empresa unindo essas duas coisas.
A dor era o acesso a produtos financeiros, e a onda era os smartphones e a nuvem. Na Decade, a dor é a gestão de patrimônio dos brasileiros e a onda é a inteligência artificial. E o tamanho do problema é assustador: apenas 7% da população brasileira seria capaz de se aposentar com recursos próprios.
A ideia central da Decade é simples de entender e um tanto difícil de executar. Mas o conceito é de oferecer para qualquer brasileiro o tipo de serviço que private banks e multifamily offices reservam exclusivamente para os super ricos.

O cliente conecta todas as suas contas via Open Finance ou upload de PDFs, e a plataforma faz uma análise completa do patrimônio, da concentração de carteira, das ineficiências tributárias, dos gastos supérfluos e das oportunidades de investimento melhores. Tudo por R$ 200 por mês, com um consultor humano acessível via WhatsApp para tirar dúvidas. O modelo de negócio é de assinatura, sem comissão por produto, o que elimina o conflito de interesse que Olivier critica abertamente nas instituições tradicionais.
Olivier fundou a Decade ao lado de Felipe Meneses, cofundador da Hyperplane, startup de inteligência artificial para crédito que o próprio Nubank havia adquirido em agosto de 2024.

A captação de US$ 85 milhões foi liderada por fundos do Vale do Silício com um histórico de apostas extremamente positivo. A Benchmark, que fez cheques iniciais para Uber, eBay e Instagram, a Greenoaks e a Diffusion, além das brasileiras Atlantico e Norte Ventures. O dinheiro entrou no caixa em setembro de 2025, quando a startup foi fundada, e ficou em sigilo por 11 meses enquanto a equipe construía o produto.
O nome da empresa diz tudo sobre a filosofia de quem a fundou. Decade é uma declaração de que o produto certo leva tempo para ser construído, e quem mede sucesso em trimestre está olhando para o lugar errado.
A lição mais direta da história de Olivier não é sobre IA nem sobre fintech. É sobre o momento de apostar. A maioria das pessoas faz uma aposta arriscada uma vez na vida, geralmente quando não tem nada a perder.
Olivier fez duas, com 11 anos de intervalo, sendo a segunda exatamente quando tinha mais a perder. Deixou a estabilidade de estar no topo para voltar ao risco. E conseguiu levantar, antes de lançar qualquer produto, a maior rodada seed da história da América Latina.
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